POSTAGENS DESTE COLUNISTA

»Quer mudar o Brasil? Tome partido
»PARA ONDE VAMOS?
»Nossa opinião e a pretensa democracia
»Bolsa Travesti, problema resolvido
»DEPOIS DE 12 ANOS EM COMA
»Da síndrome de chupim ao orgulho do Brizola
»COISAS QUE VALEM MUITO
»Um jogo esclarecedor

Vítor André da Silveira Duarte

Quer mudar o Brasil? Tome partido

Todos temos sentido certa decepção com a política no Brasil, mesmo os mais envolvidos e talvez estes sejam os mais decepcionados. Junto a tantos escândalos que já nem escandalizam mais, vemos as pessoas cada vez mais desacreditadas na classe política, pregando cada vez mais o apartidarismo, como se tal fosse a pedra do gênesis para solucionar nossa crise moral do meio público.

Apesar de soar moderno e cult, o apartidarismo não vem solucionar nada. Primeiro que nosso sistema democrático funciona através de partidos e até que isto mude é preciso estar inserido neste contexto para que possamos fazer alguma diferença.

Hoje em dia é comum que as pessoas iniciem um debate, apresentem um ponto de vista, começando com a frase “eu não tenho partido”, ou “eu não sou filiado”, como se isso fosse validar a sua opinião, a sua posição. Bem, mesmo quem “não tem partido”, tem posição, seja para um lado ou para outro e ter partido não desmerece a opinião ou posicionamento da pessoa, desde que ela esteja sendo coerente e lógica.

Ter partido não te faz um canalha e não ter partido não te faz um santo. A nossa opinião não será melhor ou pior por estarmos atrelados a algum segmento partidário, uma vez que ao decidirmos por uma filiação significa que analisamos as opções e achamos que determinada ideologia nos representa.

Claro que há casos em que o partidarismo é usado como barganha de cargos ou trampolim para a “carreira política”, mas os que querem mudar o país, que planejam um Brasil mais honesto, mais eficiente, mais qualificado, não precisam necessariamente seguir os maus exemplos.

É claro, também, que nem todos de um partido pensam de forma linear, nem todos serão honestos, nem tudo será perfeito. Fazer parte de um partido político não significa que você é igual aos correligionários, mas que dentro da ideologia que embasa aquela associação de ideias, vocês compartilham conceitos. Se você torce por um time de futebol, ainda que mal comparando, não significa que você vai brigar no estádio, nem que você vai vaiar o time ou aplaudir o técnico, somente porque outros estão fazendo.

Hoje estamos rachados entre direita e esquerda, mas os partido políticos oferecem variações dentro destas ideologias que talvez representem a sua visão de Brasil e que vão além desta dicotomia. Não estou sugerindo que todo mundo deva ser filiado, mas que, aqueles que estão de fato buscando mudar alguma coisa, devem se aplicar, sim, em algum partido e a partir daí, inserido no sistema que organiza nossa política, começar a mudança estrutural que tanto necessitamos. Ainda que esteja desgastado o termo, o Brasil precisa que os bons estejam na política, senão continuaremos tendo os “não bons” fazendo aquilo que desaprovamos, mas por falta de expressividade, acabamos sendo apenas expectadores e críticos ferrenhos, mas não contribuímos com nada de forma efetiva.



Artigo publicado originalmente em: http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/quer-mudar-o-brasil-tome-partido/86010/

Imagem extraída do site do TCE SC.

HELIO BOGADO

VÍTOR ANDRÉ DA SILVEIRA DUARTE