POSTAGENS DESTE COLUNISTA

»Quer mudar o Brasil? Tome partido
»PARA ONDE VAMOS?
»Nossa opinião e a pretensa democracia
»Bolsa Travesti, problema resolvido
»DEPOIS DE 12 ANOS EM COMA
»Da síndrome de chupim ao orgulho do Brizola
»COISAS QUE VALEM MUITO
»Um jogo esclarecedor

Vítor André da Silveira Duarte

PARA ONDE VAMOS?

O Brasil parou no último dia 15/03. Uma parte dele, pelo menos. Alguns pediam impeachment, outros o fim do PT, outros ainda, delirantes, o fim da democracia. Como uma grande escola de samba, afinal é o país do carnaval, saíram às ruas milhões de brasileiros para protestarem. Sim, eram brasileiros. Esquerda ou direita, certos ou errados, eram compatriotas e estavam buscando suas verdades, seus conceitos de verdade.

 

 

Alguns julgam a verdade nas manifestações, mas cada um carregava a sua própria verdade, não é mesmo? O rapaz que pedia a volta dos militares, o que pedia o fim do PT, o que pedia o fim dos políticos, o que pedia pra vender tudo que é público... Cada um parece acreditar que aquela sua bandeira é a bandeira da verdade.

 

Mas podemos acreditar que todas as verdades são válidas? Tem como organizar milhões de verdades? Não. Não tem como. É logicamente impossível atender a todas as demandas. Um quer o direito de protestar, outro a intervenção militar. Incompatível. Um quer vender tudo o que é público, outro quer mais saúde, educação e segurança (de graça), impossível. Lamentavelmente não se pode atender a tudo que todos entendem como correto.

 

Bom, mas então, o que faremos? Esse é o segredo da democracia. Nunca todos estarão totalmente satisfeitos, mas o geral será atendido, a maioria decidirá. Assim sobrevive um sistema onde as pessoas decidem – ainda que indiretamente – sobre as questões do país. Diferente disso é ditadura ou anarquia.

 

E somado ao sistema democrático temos o sistema político – na democracia – que é o que conhecemos. E pra mim é aqui que está o problema. Ás vezes penso que seria melhor elegermos – para podermos continuar tendo a impressão de que decidimos – o nosso presidente, mas sem Congresso e Senado. Seria um rei eleito. Um misto de tempos modernos com monarquia. Uma forma de um presidente não precisar ficar jogando com a oposição, fazendo favores em troca de aprovações. Sim, seria bom por um lado e ruim – ou péssimo – por outro. É uma loucura da minha cabeça, que numa visão utópica daria muito certo. Mas utopicamente a democracia e o nosso sistema político também beiram a perfeição.

 

Mas então, no que esbarram essas ideias, todas tão boas no papel? Achou que eu diria corrupção, né? De certa forma sim, mas a corrupção passa uma ideia de que só se aplica a instituições, empresas, partidos, entidades, organizações e na verdade o problema é o caráter. Esse é pouco falado, porque se formos combater o caráter, vamos combater nossos próprios delitos, sem colocar a culpa em alguém distante o bastante para não nos contrapor falando dos nossos podres. Essa é a razão pela qual não se faz protestos contra o vereador que não faz nada, contra os prefeitos corruptos.

 

Se vai pra rua pela corrupção da Petrobras, mas aqui no Litoral Norte um escândalo de corrupção entre prefeituras e empresas de recolhimento de lixo eclodiu nesta semana e sabe quantos estão bradando o fim destes corruptos das prefeituras e empresas? Uma meia dúzia de gatos pingados. E veja só! Se rouba até pra recolher o lixo! Se rouba na pensão. Se rouba no seguro desemprego. Se rouba no FIES, se rouba no ProUni (alunos e faculdades). Se rouba na TV a gato, no IPTU, no ITR, no Imposto de Renda, na multa de trânsito que vai pra esposa, pro esposo, pro filho. Se rouba em casa e na Petrobras. Se rouba na empresa, no colégio, na padaria. Por que é que você acha que não se roubaria na política, na polícia, na prefeitura, na Petrobras?

 

Para onde vamos? Ou aproveitamos esse momento para que cada um de nós corrija seus pequenos delitos e comece a ensinar os filhos os valores ideais, não só com palavras, mas especialmente com exemplos, ou apenas vamos dar um jeitinho de continuar como somos, sem que ninguém saiba, sem que ninguém veja. E contra eles – lá longe, distantes – queremos penas severas e, de preferência, imediatamente!

HELIO BOGADO

VÍTOR ANDRÉ DA SILVEIRA DUARTE